segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Crónicas do Ti Manel: lixo em terra de ninguém.

Depôs do Costa m’atentar a cabeça uma remessa de vezes p’ra escrever umas coisas p’ra intarnete, cá me resolvi. De modes qu’a partir d’agora e q’uondo calhar, vô escrever as minhas crónicas.


Onte, a convite do mê compadre Chico Charrinho fui passear a Côrtêra. Como já tenho o varejo quase fêto e preciso de descansar, arresolvi-me ir até lá, espaircer um pôco.






Ê, más a minha Carminha alevantamo-nos de manhã cedo e lá foi a gente. Fomos passiar, dar um pôco à tramela com aquela famila lá da praia e tamem fui abanhar, qu´é coisa qu’ ê gosto muinto.
O mê compadre Chico qu’ é pescador, tinha lá uns pexinhos fresquinhos que foi um consolo. A minha comadre Dorinhas fez lá uma bela duma caldêrada .





À tarde fomos àquela praia entre Cortêra e a Vilamoira ali mesmo ó lado do porto de pesca. Aquele sito é munto bonito mas fiqui munto desmurcido. Atão na é que continua a porcaria que fazem lá no molhe poente do porto de pesca?



Lá na ponta, onde os pescadores vã dar banho à minhoca, é uma porcaria no mêo das rochas. É qu’ eles jogam toda a lixerada pró mêo das pedras, ele é plásticos, é garrafas de vidro, papés, toda a porcaria lá vai parar. Nem dá p'ra acreditar, ao lado duma zona turistica como Vilamoira!

 




É claro qu’ atirar coisas po mêo das rochas tá mal, é falta de civismo, mas tameim na há lá nem um caxote do lixo! Aquela zona tá uma marafunda, um enlêo dos grandes, quem manda nos portos é o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM) mas quem recolhe o lixo é a Câmbra de Loléi, assim, aquilo ali é como qu’ uma terra de ninguém (a beim dizer é más um mar de ninguém). Bom, agora vamos a ver s’ algum daqueles Senhores importantes, por adrego lêa esta crónica e possa dar uma manita p’ra resolver este enredo.




Agora já chega de coisas ruins, ó fim da tarde o mê compadre Chico pegou no arrasto e ainda foi panhar umas cóquilhas qu’ a gente levô p’ra casa. Ò jantar, a minha Carminha fez lá uma petisco qu' era comer e chorar por más. Um dia destes ainda vô convencê-la a mostrar as recêtas dela, que são do melhor que há.


 

Por hoje é tudo, tenham muinta saudinha,



Manel Cavaco





sábado, 14 de agosto de 2010

Uva-de-cão

Uva-de-cão é uma planta que se desenvolve geralmente, nos recantos não cultivados ou junto dos valados, cresce trepando por arbustos e árvores. Durante o Verão, os frutos desta planta ficam maduros, enquanto a planta seca.



Antigamente nos meios rurais, estes frutos, pequenas bolinhas vermelhas, eram utilizados na medicina popular. Eram usados para combater vários tipos de dores, especialmente as dores reumáticas.


Colocavam-se os frutos a macerar em álcool, num frasco, durante três ou quatro semanas, passado esse tempo o líquido daí resultante era usado para fazer fricções na zona em que manifestava a dor. Em vez de álcool também podia ser utilizada aguardente de figo ou de medronho.

domingo, 25 de julho de 2010

Amoras silvestres

Na zona do barrocal, com a decadência da pequena agricultura, alguns campos vão ficando incultos e invadidos por silvados cada vez mais abundantes. Pouco a pouco as silvas cobrem as zonas de cultivo e ajudam a destruir as árvores tradicionais.




Mas nem tudo é mau, as silvas não são só espinhos, além dos picos, também dão frutos deliciosos, as amoras silvestres.




Segundo dizem os entendidos, este fruto silvestre é muito rico em vitamina C, magnésio, potássio e fibras. As amoras tem muitas propriedades: melhoram o trânsito intestinal, são depurativas, pois ajudando a eliminar as toxinas do organismo tendo assim uma acção antioxidante bastante importante.




Recordo-me dos meus tempos de garoto, em que, chegado este tempo, percorríamos os silvados da região para apanhar amoras.


Eram feitos uns pacotinhos de folha de figueira onde depois eram colocadas as amoras colhidas.







terça-feira, 4 de maio de 2010

Primavera na serra


Por vezes passamos, olhamos, mas não vemos a beleza das coisas que nos rodeiam. Desta vez, ao chegar ao Algarve, decidi parar na serra, à beira da estrada, para descansar e contemplar a natureza. Estava uma tarde primaveril maravilhosa, os pássaros chilreavam, as flores em combinações coloridas, emanavam delicados perfumes. Sem dar por isso ali fiquei longos minutos, simplesmente a olhar. Os sons e os odores não é possível mostrar, no entanto, junto algumas imagens singelas.



















domingo, 25 de abril de 2010

Noras de tirar água e poços

Já lá vai o tempo em que era habitual ver um burro ou um macho a andar à volta da nora com os olhos vendados a tirar água para regar hortas e pomares.
Esta herança da civilização árabe marcou durante muito tempo os sistemas de irrigação da agricultura no Algarve. Contudo, com o aparecimento dos motores de rega, este sistema foi ficando cada vez mais ultrapassado e actualmente a maior parte das noras estão abandonadas e degradadas.
Nas fotografias a seguir, podemos ver o cenário triste encontrado em várias zonas do Algarve, em que pouco ou nada foi feito, para preservar este património cultural da nossa região. Claro que não podemos esperar ver agricultores a utilizar métodos que actualmente são arcaicos, mas poderia haver entidades que estimulassem e contribuíssem para a preservação deste património.






Relativamente aos poços com bomba manual, aconteceu a mesma coisa. Talvez tenham resistido um pouco mais, mas com a expansão da rede eléctrica, as bombas eléctricas substituíram as manuais. Hoje ainda podemos encontram alguns com uma parte do sistema manual, mas estão ligados a bombas eléctricas. Antigamente estes poços espalhados por quase todas as aldeias algarvias eram o centro da distribuição de água, hoje ou estão transformados ou são apenas uma memória.






segunda-feira, 29 de março de 2010

Gaivotas em terra ...

Gaivotas em terra ... tempestade no mar. Ou será apenas uma reunião de família?






sábado, 20 de março de 2010

O mercado de Sábado em Loulé

Aos Sábados, nas ruas que circundam o Mercado Municipal de Loulé (a praça), realiza-se o tradicional mercado semanal. Antigamente, este mercado destinava-se principalmente aos produtores da região, para que pudessem escoar os seus produtos, posteriormente foi alargado a outros feirantes que aqui comercializam diversos produtos.











 










sábado, 27 de fevereiro de 2010

Iris - rock cantado com pronúncia algarvia

Com mais de 30 anos de carreira, os Iris são a banda mais carismática do Algarve. Começaram a tocar em bailes e festas da região como tantos outros grupos musicais, tocaram em hotéis e bares e até gravaram vários discos.


O grande impulso que os projectou no mundo da música foi sem dúvida a gravação do tema “Oh Mãe, Aquêle Moçe Batê-me!”, versão de "House of the rising sun" dos Animals. Esta música, cantada com pronúncia algarvia marcou a identidade própria do grupo. Mais tarde outro tema emblemático veio cimentar essa característica, «Atira-tó Mar» foi na altura, uma das músicas mais tocadas na rádio.

 





Sítio do grupo: http://www.iris.pt/

domingo, 31 de janeiro de 2010

Amendoeiras em flor


Com a chegada do mês de Janeiro, nuvens de pétalas brancas e rosadas começam a cobrir muitas zonas do Algarve, num belo espectáculo visual: são as amendoeiras em flor. Actualmente já não existem tantas como antigamente, uma boa parte das amendoeiras vão desaparecendo sem serem substituídas, outras estão abandonadas devido à elevada idade dos seus proprietários, no entanto a beleza das amendoeiras em flor, continua tal como no tempo da princesa Gilda e do rei mouro.








quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Conversas com o Ti Manel Cavaco


Ti Manel Cavaco é considerado um homem dos sete instrumentos, faz de tudo um pouco como se custuma dizer. No entanto, são as actividades agrícolas tradicionais que lhe preenchem a maior parte do tempo, quer seja na sua pequena horta, ou nos terrenos de sequeiro, ele anda sempre a fazer qualquer coisa, não é homem de ficar parado durante muito tempo. Uma das suas particularidades, além de ser um optimista que tem sempre uma solução para tudo, é a sua visão ecológica das coisas.


Fomos encontrar o Ti Manel Cavaco perto de casa quando regressava dos seus trabalhos no campo, com a enxada às costas e a assobiar as suas músicas.

- Bom dia Ti Manel, então como é que vai isso?

- Bom dia. Vai-se bem, labutando um pôco na ingrícola. Atão e tu moço? Como é que tás?

- Tá tudo bem. Então o que é se faz agora neste tempo, na agricultura?

- Olha fui ver as favas e os griséus qu’ ê tenho além na chapada. Fui pôr uns espantalhos por casa dos coelhos e dos pássaros, assim já eles na me estragam a semintêra. Depôs fui ver as farrobêras e descobri qu’ andavam lá os ratos a dar cabo daquela que tá mêmo no mêo da terra, até tá toda amarelada, sabes lá… é qu’ o raça dos bichos gostam muinto destas farrobêras de monturada.

- Então tem de pôr lá um pesticida para acabar com eles?

- Nã … ê tenho uma coisa melhor. É uma coisa que na estraga o imbiente e é más barato, já ouviste falar nas sabolas d’ almarrão?

- Cebolas albarrãs? Acho que o meu avô falava nisso …

- Pôs é, essas sabolas têm um chêro desquesito, acho qu’ aquilo até é venanoso e faz os ratos dêxarem as farrobêras em paz. Fui ó mato, andi a procura delas e consegui arranjar umas três, depôs fui samea-las à rés do tronco. Agora é só esperar uns tempos qu' eles desòpilam de lá.

- Quem sabe, sabe. O Ti Manel é muito ligado à ecologia.

- Pôs agora fala-se muinto nisso, mas ê cá sempre aprendi com os mês avozes qu’ as coisas devem ser fêtas respêtando a natureza e quase tudo tem serventia pra qualquer coisa, é o caso destas sabolas.

- Faz muito bem! Só tenho pena, de não ter ido consigo para tirar umas fotografias às cebolas, para pôr no meu blog.

- No tê quêm?

- No meu blog, Ti Manel. Aquela coisa da internet de que lhe falei no outro dia.

- Mas atão se tu queres pôr na intarnete, um retrato duma planta, ê tenho cá outra más bonita, é uma planta que tá florida neste tempo e até serve de árve de Natal. Olha nem corti nenhum pinhêro, nem tenho coisas de plástico, tenho uma planta com flores que se chama Estrela de Natal. A bem dizer na é minha, é da minha Carminha, mas anda cá ver e tira-lhe um retrato pra pores na intarnete.






- Realmente é bonita e serve perfeitamente de árvore de Natal exterior. Bem Ti Manel, obrigado por esta conversa, tenho de ir embora.

- Olha desejo-te um Ano Bom de 2010 e já agora tameim aquela famila que lê lá essas coisas, do tê blogue, saudinha e até à outra.

- Bom Ano para si também, ti Manel!


BOM ANO DE 2010 PARA TODOS!