terça-feira, 4 de maio de 2010

Primavera na serra


Por vezes passamos, olhamos, mas não vemos a beleza das coisas que nos rodeiam. Desta vez, ao chegar ao Algarve, decidi parar na serra, à beira da estrada, para descansar e contemplar a natureza. Estava uma tarde primaveril maravilhosa, os pássaros chilreavam, as flores em combinações coloridas, emanavam delicados perfumes. Sem dar por isso ali fiquei longos minutos, simplesmente a olhar. Os sons e os odores não é possível mostrar, no entanto, junto algumas imagens singelas.



















domingo, 25 de abril de 2010

Noras de tirar água e poços

Já lá vai o tempo em que era habitual ver um burro ou um macho a andar à volta da nora com os olhos vendados a tirar água para regar hortas e pomares.
Esta herança da civilização árabe marcou durante muito tempo os sistemas de irrigação da agricultura no Algarve. Contudo, com o aparecimento dos motores de rega, este sistema foi ficando cada vez mais ultrapassado e actualmente a maior parte das noras estão abandonadas e degradadas.
Nas fotografias a seguir, podemos ver o cenário triste encontrado em várias zonas do Algarve, em que pouco ou nada foi feito, para preservar este património cultural da nossa região. Claro que não podemos esperar ver agricultores a utilizar métodos que actualmente são arcaicos, mas poderia haver entidades que estimulassem e contribuíssem para a preservação deste património.






Relativamente aos poços com bomba manual, aconteceu a mesma coisa. Talvez tenham resistido um pouco mais, mas com a expansão da rede eléctrica, as bombas eléctricas substituíram as manuais. Hoje ainda podemos encontram alguns com uma parte do sistema manual, mas estão ligados a bombas eléctricas. Antigamente estes poços espalhados por quase todas as aldeias algarvias eram o centro da distribuição de água, hoje ou estão transformados ou são apenas uma memória.






segunda-feira, 29 de março de 2010

Gaivotas em terra ...

Gaivotas em terra ... tempestade no mar. Ou será apenas uma reunião de família?






sábado, 20 de março de 2010

O mercado de Sábado em Loulé

Aos Sábados, nas ruas que circundam o Mercado Municipal de Loulé (a praça), realiza-se o tradicional mercado semanal. Antigamente, este mercado destinava-se principalmente aos produtores da região, para que pudessem escoar os seus produtos, posteriormente foi alargado a outros feirantes que aqui comercializam diversos produtos.











 










sábado, 27 de fevereiro de 2010

Iris - rock cantado com pronúncia algarvia

Com mais de 30 anos de carreira, os Iris são a banda mais carismática do Algarve. Começaram a tocar em bailes e festas da região como tantos outros grupos musicais, tocaram em hotéis e bares e até gravaram vários discos.


O grande impulso que os projectou no mundo da música foi sem dúvida a gravação do tema “Oh Mãe, Aquêle Moçe Batê-me!”, versão de "House of the rising sun" dos Animals. Esta música, cantada com pronúncia algarvia marcou a identidade própria do grupo. Mais tarde outro tema emblemático veio cimentar essa característica, «Atira-tó Mar» foi na altura, uma das músicas mais tocadas na rádio.

 





Sítio do grupo: http://www.iris.pt/

domingo, 31 de janeiro de 2010

Amendoeiras em flor


Com a chegada do mês de Janeiro, nuvens de pétalas brancas e rosadas começam a cobrir muitas zonas do Algarve, num belo espectáculo visual: são as amendoeiras em flor. Actualmente já não existem tantas como antigamente, uma boa parte das amendoeiras vão desaparecendo sem serem substituídas, outras estão abandonadas devido à elevada idade dos seus proprietários, no entanto a beleza das amendoeiras em flor, continua tal como no tempo da princesa Gilda e do rei mouro.








quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Conversas com o Ti Manel Cavaco


Ti Manel Cavaco é considerado um homem dos sete instrumentos, faz de tudo um pouco como se custuma dizer. No entanto, são as actividades agrícolas tradicionais que lhe preenchem a maior parte do tempo, quer seja na sua pequena horta, ou nos terrenos de sequeiro, ele anda sempre a fazer qualquer coisa, não é homem de ficar parado durante muito tempo. Uma das suas particularidades, além de ser um optimista que tem sempre uma solução para tudo, é a sua visão ecológica das coisas.


Fomos encontrar o Ti Manel Cavaco perto de casa quando regressava dos seus trabalhos no campo, com a enxada às costas e a assobiar as suas músicas.

- Bom dia Ti Manel, então como é que vai isso?

- Bom dia. Vai-se bem, labutando um pôco na ingrícola. Atão e tu moço? Como é que tás?

- Tá tudo bem. Então o que é se faz agora neste tempo, na agricultura?

- Olha fui ver as favas e os griséus qu’ ê tenho além na chapada. Fui pôr uns espantalhos por casa dos coelhos e dos pássaros, assim já eles na me estragam a semintêra. Depôs fui ver as farrobêras e descobri qu’ andavam lá os ratos a dar cabo daquela que tá mêmo no mêo da terra, até tá toda amarelada, sabes lá… é qu’ o raça dos bichos gostam muinto destas farrobêras de monturada.

- Então tem de pôr lá um pesticida para acabar com eles?

- Nã … ê tenho uma coisa melhor. É uma coisa que na estraga o imbiente e é más barato, já ouviste falar nas sabolas d’ almarrão?

- Cebolas albarrãs? Acho que o meu avô falava nisso …

- Pôs é, essas sabolas têm um chêro desquesito, acho qu’ aquilo até é venanoso e faz os ratos dêxarem as farrobêras em paz. Fui ó mato, andi a procura delas e consegui arranjar umas três, depôs fui samea-las à rés do tronco. Agora é só esperar uns tempos qu' eles desòpilam de lá.

- Quem sabe, sabe. O Ti Manel é muito ligado à ecologia.

- Pôs agora fala-se muinto nisso, mas ê cá sempre aprendi com os mês avozes qu’ as coisas devem ser fêtas respêtando a natureza e quase tudo tem serventia pra qualquer coisa, é o caso destas sabolas.

- Faz muito bem! Só tenho pena, de não ter ido consigo para tirar umas fotografias às cebolas, para pôr no meu blog.

- No tê quêm?

- No meu blog, Ti Manel. Aquela coisa da internet de que lhe falei no outro dia.

- Mas atão se tu queres pôr na intarnete, um retrato duma planta, ê tenho cá outra más bonita, é uma planta que tá florida neste tempo e até serve de árve de Natal. Olha nem corti nenhum pinhêro, nem tenho coisas de plástico, tenho uma planta com flores que se chama Estrela de Natal. A bem dizer na é minha, é da minha Carminha, mas anda cá ver e tira-lhe um retrato pra pores na intarnete.






- Realmente é bonita e serve perfeitamente de árvore de Natal exterior. Bem Ti Manel, obrigado por esta conversa, tenho de ir embora.

- Olha desejo-te um Ano Bom de 2010 e já agora tameim aquela famila que lê lá essas coisas, do tê blogue, saudinha e até à outra.

- Bom Ano para si também, ti Manel!


BOM ANO DE 2010 PARA TODOS!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Poeta Aleixo



No dia em que passam 60 anos após a morte deste grande poeta, que muitos consideram o maior poeta popular português, não poderia deixar passar a oportunidade de prestar aqui a minha humilde homenagem. Já muito se disse sobre o Poeta Aleixo e a sua obra. Alguns dos seus versos já foram musicados e cantados, outros foram lembrados em livros, outros ainda, ditos na rádio e televisão, no entanto, penso que nunca é demais recordar este singular poeta.
Normalmente, olha-se para os poetas populares, como para meros fazedores de quadras, porventura com grande poder de improviso, mas que abordam sempre os assuntos de forma superficial, sem grande nível cultural. No caso de António Aleixo era diferente, aliava um elevado poder de sintetizar em poucas palavras, ideias com rico conteúdo a uma critica social acutilante, manifestando uma dolorosa filosofia aprendida na escola da vida.
Lembro-me da primeira vez que algo me chamou a atenção sobre a obra de António Aleixo. Certamente, já tinha ouvido algumas conversas dos meus pais e avós sobre o Poeta Aleixo, mas não me tinha apercebido da dimensão da sua poesia. Desta vez, andava eu na escola secundária, quando ao abrir o livro de filosofia, lá estava uma quadra do Aleixo:



Eu não tenho vistas largas,
Nem grande sabedoria,
Mas dão-me as horas amargas
Lições de filosofia.



Não era um livro qualquer, pensei eu, embora não quisesse menosprezar os outros livros, uma quadra do Aleixo num livro de filosofia, foi algo que me deixou a pensar. Aquela era afinal, mais que uma mera quadra de poeta popular, ela fazia transparecer capacidades intelectuais que eu não imaginava num poeta quase analfabeto. A partir daí, interessei-me pela sua obra, li as suas quadras, as suas glosas, os seus autos e fiquei maravilhado com a profundidade das suas palavras simples. Ficam aqui algumas das suas quadras:



(Algumas tão actuais …)



À guerra não ligues meia,
Porque alguns grandes da terra,
Vendo a guerra em terra alheia,
Não querem que acabe a guerra.



O mundo só pode ser
Melhor do que até aqui,
Quando consigas fazer
Mais p'los outros que por ti!



Sei que pareço um ladrão...
Mas há muitos que eu conheço
Que, não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço.



Ris de mim, mas eu de ti
Não me sei rir, nem preciso;
Quem tem juízo não ri
Dos que não têm juízo.



Nos versos que se improvisem,
Os poetas sabem ler,
Para além do que eles dizem,
Tudo o que querem dizer.



Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado;
O ribeirinho não morre,
Vai correr por outro lado.



Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.



Não sou esperto nem bruto,
Nem bem nem mal educado:
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado.



Uma mosca sem valor
Poisa c’o a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.



Julgando um dever cumprir,
Sem descer no meu critério,
- Digo verdades a rir
Aos que me mentem a sério!


Que importa perder a vida
Na luta contra a traição
Se a razão mesmo vencida
Não deixa de ser razão.







Para saber mais sobre o poeta procure sitio da Fundação António Aleixo:

http://www.fundacao-antonio-aleixo.pt/default.asp


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ribeira de Quarteira

A Ribeira de Quarteira é o resultado da junção de várias outras que serpenteiam pelos vales do interior do Algarve, nomeadamente a Ribeira de Algibre e a Ribeira de Alte e vai desaguar entre a Marina de Vilamoura e a Praia da Rocha Baixinha (também lhe chamam Praia da Falésia). De um lado temos os hotéis e aldeamentos de luxo, do outro, uma praia ainda sem grandes construções (felizmente!) e com bonitas falésias, apesar da sua degradação.
Ao lado de uma zona turística densamente construída, como é o caso de Vilamoura, ainda podemos encontrar pequenos recantos quase selvagens, onde é possível apreciar a natureza.







terça-feira, 13 de outubro de 2009

Limpar o Algarve, limpar Portugal!

Vamos todos limpar Portugal em 20/03/2010!


Deixo aqui a divulgação desta iniciativa que me pareceu ser bastante importante, que contribuirá certamente para a melhoria do ambiente no Algarve e sobretudo para dar um abanão nas nossas mentalidades (às vezes, pouco ecológicas!).


O Movimento Limpar Portugal é um movimento cívico cujo objectivo é promover a educação ambiental por intermédio da iniciativa de limpar a floresta portuguesa no dia 20 de Março de 2010.

http://limparportugal.ning.com/

Esta iniciativa pretende reeditar em Portugal uma operação de limpeza da floresta que ocorreu na Estónia em Março 2008.

http://www.youtube.com/watch?v=ctjJps7SmEI



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Recordações: é dia 8 de Outubro ... que chatice, já nã posso ir armar!

Estava uma bela manhã de Outubro, tinha acabado de me levantar e fui assumar-me à janela para ver como estava o tempo. O sol despontava por entre os montes e uma brisa suave fazia sentir o cheiro da terra. Tinha chovido durante a noite e agora com os primeiros raios de sol, os pássaros esvoaçavam e não paravam de chilrear. Mesmo ali ao lado, no quintal, conseguia distinguir o canto dos piscos e dos taralhões, certamente andavam a comer os bichinhos dos figos que ainda estavam no almenchar.



Pisco



Taralhão



O tempo estava mesmo bom como eu gostava, para ir armar umas ratêras aos pássaros: tinha chovido, estava sol e vento era fraco. O dia iria certamente proporcionar uma grande caçada, estava decidido, eu ia armar. Peguei em meia dúzia de figos amendoados para matar o jejum e disse à minha mãe:
- Mãe, vou armar.
- Na vás sem comer – respondeu-me ela.
- Como quando voltar, já devia ter abalado.
Peguei no molho das ratêras, num canudo de agúidas, no sacho para fazer os poisos e lá fui todo entusiasmado. Ainda voltei para trás, faltava uma coisa, a fisga, podia fazer falta!



Agúida


Ia pelo caminho a planear mentalmente a minha caçada, quando ouvi alguém dar devaia. Era o Paulo, o meu vizinho, colega de escola e de caçadas.
- Mas aonde é que tu vás hoje? – Perguntou-me ele.
- Olha, vou armar, tamêm queres ir?
- Mas hoje é dia 8 de Outubro! – Disse-me ele com uma expressão de admiração.
- Atão, ... qual é o problema? – Perguntei-lhe, ainda mais admirado.
- Começa a escola, já nã ta lembras?
- Ei, é dia 8 de Outubro… que chatice, já na posso ir armar, hoje é o primêro dia de escola!

Ao fim de mais de três meses, as férias grandes tinham terminado. Nem eu nem a minha mãe nos lembramos que era dia 8 de Outubro e todos os anos nesse dia começava a escola. Era assim antigamente, nos tempos da minha infância. Uns dirão que era melhor, outros que era pior, de uma coisa eu tenho a certeza, era diferente e era bom, a escola … e a escola da vida!




Significados de algumas das algraviadas:

- assumar-me --> espreitar
- almenchar --> espaço onde os agricultores secavam os figos
- figos amendoados --> figos cheios com amêndoas
- armar --> caçar pássaros com ratoeiras utilizando como isco as agúidas
- abalar --> ir embora, partir
- ratêras --> ratoeiras, armadilhas de arame que também servem para caçar pássaros
- agúidas --> (a letra u é sonora) formigas de asas, conhecidas noutras regiões do país como agúdias
- poisos --> montículos de terra, onde se colocam as ratêras com alguma inclinação para que os pássaros vejam a agúida.
- dar devaia --> chamar


NOTA: A caça de pássaros é proibida por lei, visto serem espécies em extinção , no entanto, esta actividade era em tempos, culturalmente bem aceite em muitas regiões e praticada por qualquer criança do campo.